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Entrevista com a repórter da TV Bandeirantes nas coberturas da Indy no início da década passada.

Silvia Vinhas é uma jornalista que começou sua carreira em 1990 como correspondente da Rede Bandeirantes na cobertura da Fórmula Indy pela TV Bandeirantes. Morando em Miami, Flórida, cobriu a NBA e futebol americano.
Foi a primeira mulher a participar de coberturas automobilísticas. Trabalhou como repórter e apresentadora na Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos, e na de 1998, ocorrida na França, além das Olimpíadas de Atlanta, em 1996 e de Sydney, em 2000.
Atualmente Silvia ainda está no Grupo Bandeirantes, mas apenas no canal de esportes fechado da emissora paulista apresentando um programa chamado GolfClub e no canal universitário pela Rede CBI com seu programa Opinião Livre, além claro de seu site especial: http://www.silviavinhas.com.br/

Para voê que não acompanhou esta época fantástica da Indy na TV Bandeirantes, veja como era o ambiente, para você que acompanhou relembre...

Raul Boesel, Silvia Vinhas e Émerson Fittipaldi.



1 – Como surgiu a oportunidade de você fazer parte da equipe de transmissões da Fórmula Indy na Rede Bandeirantes de televisão?

Surgiu da maneira mais inusitada possível. Eu já morava em Miami e tinha uma loja de artigos esportivos no centro da cidade. O Luciano do Valle me ligou da Itália, na copa de 90, e disse que a profissional que colocava a transmissão da Indy no ar, estava incapacitada de realizar o Grande Premio de Detroit.
Eu, desesperada, pedi ajuda a um funcionário meu da loja, e fomos os dois para Detroit, com uns equipamentos que eu nunca tinha visto antes na vida, na bagagem. Quando chegamos na área do circuito, descobrimos que ninguém nos ajudaria a montar aquele equipamento.Só pra vc ter uma idéia, começamos a montar o equipamento de transmissão, nós dois e o Brasil por telefone, às 8hs da manhã de sábado.Finalizamos com sucesso, 12 horas depois.
No domingo, já com tudo pronto, o Luciano me ligou novamente da Itália, agradecendo e pedindo para que, durante a transmissão, eu contasse o que tinha visto por lá no final de semana. E foi assim que tudo começou...

2 – Qual era o seu relacionamento com a Fórmula Indy antes de você se envolver com a categoria em 1990?

Acompanhava sempre o Luciano do Valle. Quando ele começou as transmissões da Indy, em 1988 acho, eu ainda era casada com ele.

3 – O repórter Luiz Carlos Azenha (hoje na Rede Record) que trabalhou na cobertura da Indy por seis anos na Manchete e depois no SBT, disseque em sua primeira corrida da Indy, ele não sabia diferenciar “uma porca de um parafuso”. O que a Silvia Viinhas entendia de automobilismo e até mesmo de carros?

Absolutamente nada. Como eu era a única mulher no pedaço, acordava nas oficinas, nos boxes, e todo mundo me explicava tudo.

4 – Quais pilotos você tinha mais dificuldades de entrevistar e quais você tinha mais intimidade para conseguir alguma notícia exclusiva?

Vc não vai acreditar. O piloto que me dava mais canseira era Emerson Fittipaldi. Nunca tive que esperar nenhum outro, só ele. Mas foi também ele quem me proporcionou aquela entrevista exclusiva com o Ayrton Senna em Phoenix. Dá pra entender?

5 – Qual a situação mais delicada e/ou engraçada que você passou nos pits da Fórmula Indy?

Foram quase 4 anos de muitas histórias. Difícil lembrar. Era uma família. Afinal, todos os finais de semana eu estava junto com os mesmos pilotos. Conhecia as mulheres, os filhos, almoçava cada dia num hospitality... Mas vamos lá: o momento mais engraçado foi em Indianápolis, quando morava um mês por lá,na competição de Pit-Stop, que eles organizam com a imprensa. Quem fizesse o Pit-Stop mais rápido ganhava uma viagem. A equipe era Luciano do Valle, Elia Jr, Wilson Medeiros (sabe aquele funcionário meu? virou coordenador internacional da Indy para o Brasil, que tal?)e meu irmão, Paulo Vinhas (hoje editor internacional da TV Globo).Eu era a repórter.O Luciano do Valle afundou o time.O pneu dele empacou e perdemos feio!!!
E o momento mais delicado foi o ano de 1991, que trabalhei e viajei grávida por esse mundão afora, subia em andaimes, carregava malas, dormia no chão do aeroporto... Foi bravo!

6 – Ultimamente as mulheres vêm ganhando muito espaço na Indy, tanto dentro como fora das pistas. São pilotos e repórteres. Na sua época isso era diferente, como foi quebrar essa barreira em um ambiente totalmente machista?

Eu parecia um ET vestida com um macacão vermelho cheio de patrocínios. Lá fora a mulher é muito respeitada. Não tem essa de preconceito não. Eu podia tudo. Eles tiveram que me engolir!

Silvia Vinhas, Elia Júnior, Marcelão (cinegrafista), Maria do Carmo e André (cinegrafista).



7 – Tem alguma corrida em especial que você torceu excessivamente para alguém vencê-la?

Emerson, nas 500 milhas de Indianápolis.

8 – Em 1992 a Fórmula 1 vivia uma crise fora das pistas, um pouco parecido como a que temos hoje. Neste ano, você estava presente no teste de Ayrton Senna na Penske com Emerson Fittipaldi. Realmente havia a possibilidade de nosso maior ídolo das pistas participar da categoria norte-americana? (Para ver saber mais deste teste, clique aqui).


Émerson Fittipaldi, Silvia Vinhas e Ayrton Senna em Firebird.


Sim, havia. O Ayrton estava muito desgostoso, questionando a vida que levava realmente cansado. Passei um final de semana inteiro com os dois,Emerson e Ayrton, não só nos treinos, mas nos jantares.Deu pra sentir um questionamento de vida do Ayrton, sabe? Ele não estava feliz.

9 – Era mais legal trabalhar na NBA ou na Fórmula Indy quando você morava nos estados Unidos?

Na Formula Indy, sem dúvida. A Indy era minha vida. Toda quarta-feira eu viajava para algum lugar diferente, era amiga dos pilotos, tinha trabalho mas muita festa também.O Trabalho na NBA se resumia à cobertura dos jogos e as entrevistas no final.Não tinha convivência.

10 – Em 1993 a TV Bandeirantes perdeu os direitos de transmissões da Indy para a Rede Manchete, como foi para você e a equipe da emissora paulistana esta perda?

Foi tão ruim que voltei para o Brasil.

11 – No Brasil, um dos maiores comentaristas da Indy foi Dedê Gomez. Embora vocês participem de um programa de Golfe que nada tem haver com automobilismo, vocês comentam da Indy alguma vez em off?

Claro. O Dedê é um apaixonado por automobilismo. Muito mais que por golfe.

12 – Depois de muito tempo a Rede Bandeirantes adquiriu a Fórmula Indy mais uma vez. Nunca mais houve a possibilidade de você estar no meio das transmissões novamente, já que você ainda é contratada do Grupo Bandeirantes?

Infelizmente eu, o Elia jr, fazemos parte de uma outra geração. Acho que a TV quer renovar e talvez, por causa disso, nunca tenham me chamado. O que é um grande erro, na minha opinião. Em outros países, profissionais veteranos são muito valorizados. O mesmo não acontece aqui. É a cultura do nosso país... Fazer o que?

Desde já, deixamos o nosso muito obrigado pela forma em que a profissional Silvia Vinhas nos atendeu. Com certeza o trabalho dessa geração jamais será esquecido.

Obrigado Silvia Vinhas!

Acompanhe um vídeo de Silvia Vinhas entrevistando Paul Newman nas 500 milhas de Indianápolis de 1992 após um acidente de Mario Andretti, e depois entrevistando a mulher de Raul Boesel na mesma corrida.
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